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Acabado o show da Nneka, era hora de andar loooongos minutos até o outro lado do parque para ver The Dodos. Cheguei lá e provavelmente já tinham tocado as 2 únicas músicas que eu conhecia, porque das que ouvi não reconheci nenhuma. Mas ainda assim foi um show legazinho de se ver. O que mais me chamou a atenção, logo de cara, foi o baterista a bateria, e, claro, o fato de ter um XILOFONE no palco. Hã? Pois é. E eu nunca vi ninguém tocar um xilofone com tanta animação. O show ainda teve participação especial de Neko Case, de quem não posso dizer muita coisa a não ser que ela é muito ruiva.

The Dodos – The Season

I woke up in a cave
No air no light no shade
When did things turn this way?
I miss you on certain days

O domingo começou frio e com chuva em Chicago. Depois de passar numa loja pra comprar um casaco, cheguei um pouco atrasada e peguei o show da Nneka já quase na metade. Eu fiquei meio que totalmente sem palavras, então procurei, procurei e finalmente achei uma versão ao vivo que pode dar uma idéia do que foi. O vídeo é longo, a música só começa mesmo lá pelo 3o minuto mas, sério, vejam tudo. E não precisam me agradecer depois.

Nneka – Heartbeat

You throw stones
Can you see that I am human I am breathing
But you don’t give a damn
Can you feel my heart is beating
Can you see the pain you’re causing

Olha, se tem uma coisa que eu respeito é banda que não economiza hit. Eu andava meio de bode do Phoenix – ou, mais exatamente, de quase todas as músicas do último disco deles, Wolfgang Amadeus Phoenix. Mas ao começarem o show com “Lisztomania” foi como se estivessem ali me dizendo “tá, eu sei que você tá de saco cheio dessa música mas aguenta aí que a gente tem muito mais pra mostrar”. E tinham mesmo. Sem pose de “atração principal do Lollapalooza 2010″, o Sr. Sofia Coppola e cia entraram no palco espantados (lisonjeados?) com o tamanho do público. Era difícil mesmo avistar um pedacinho de grama do Grant Park que não estivesse tomado por (pelo menos) um par de pés. Agradeceram repetidas vezes a presença, em palavras e com um show fantástico em todos os sentidos: produção (mesmo que nada comparado a um show solo, as luzes e palco estavam lindos) e muita, mas muita empolgação. E eu, que não aguentava mais ouvir Phoenix, saí com uma nova música preferida:

Phoenix – Fences

You carried away
Thought I would have let you know
Oh no, did you miss, miss, miss it?
Familiar stare, would rather mess with me than get going?
She’s been building up a castle
And I roll the dice for me

Valeu, Phoenix. Nos vemos em Novembro no Planeta Terra!

Tocar imediatamente antes da principal atração do dia é uma tarefa um tanto ingrata. Fica todo mundo ali, vendo seu show meio de longe e sem prestar muita atenção, querendo mesmo é que você termine logo pro tão esperado show começar. O Cut Copy foi a penúltima banda a se apresentar na dupla de palcos principal, antes de ninguém menos que o Phoenix. E realmente, muita gente não tava dando muita bola pros caras e ficou ali, só olhando de longe. Mas era só passar um pouquinho mais perto do palco pra ser praticamente sequestrado pelo som e pela vontade de sair dançando e pulando no meio do público. Já na primeira música ganharam minha atenção e meu coração (afe, que brega!): já de início mandaram “Lights and music“, minha preferida. Eu, que não esperava muita coisa – imaginei um show desses de “banda de balada”, embora goste bastante deles – fiquei bem impressionada. Foi sem dúvida um dos melhores shows que vi por lá. E pra sentir um gostinho, o novo single lançado há alguns meses e tocado ao vivo lá mesmo.

Cut Copy – Where I’m Going

All you need is a dream and a lover too
All you need is a dream and a lover
Take my hand ’cause I know what you’re going through
After the time I haven’t known where you’re going
You know ow

Os muitos palcos simultâneos implicavam, claro, em escolha. Me arrependi de poucas das minhas, mas por incrível que pareça com o Spoon não foi assim. Estava super animada, achando que os caras iam fazer um dos melhores shows do Lolla, e acabei me decepcionando. Não que tenha sido assim uma coisa horrível, tipo “pior show da minha vida”. Longe disso. Os hits empolgaram, até, mas no geral foi simplesmente ok. Acho que a combinação de uma grande expectativa com o fato de o Edward Sharpe & The Magnetic Zeros estar tocando a poucos metros dali – e fazendo, segundo relatos, um dos melhores shows do festival – acabou mandando minha empolgação por água abaixo. Mas vamos lá, o negócio é nos apegarmos aos bons momentos para esquecer os ruins…e esse foi o melhor do show, sem dúvida!

Spoon – The Underdog

I want to forget how conviction fits
But can I get out from under it?
Can I gut it out of me?
It can’t all be wedding cake
It can’t all be boiled away
I try but I can’t let go of it

O Metric fez, na minha quase humilde opinião, um dos melhores shows do sábado. Mesmo conhecendo pouco do trabalho da banda, é daqueles shows pra dançar e cantar como se fosse fã de longa data. E além das versões pista, circulam por aí algumas versões acústicas bem legais. Fica a dica!

Metric – Help, I’m alive

I get wherever I’m going
I get whatever I need
While my blood’s still flowing
And my heart still beats
Help, I’m alive, my heart keeps beating like a hammer

E lá fui eu em busca de sombra e água fresca. Acontece que no caminho para encher minha garrafinha d’água (sim, porque a água era DE GRAÇA! Aprenderam, festivais brasileiros?) passei pelo palco pequeno – lembram dele? – e ouvi um pedacinho do que estava tocando. E já foi suficiente pra me segurar mais 30 minutos por ali. Mesmo chegando na metade, gostei muito do show. Público e banda muito empolgados, climão meio “it’s only rock and roll but I like it”, sabe? Claramente me ganharam.

Royal Bangs – My car is haunted

We were the only ones
And now there’s no one left
Alive to tell
About how we weren’t so scared
Before the ocean swelled
About how we used to live
Before the ceiling fell

Deixa eu explicar uma coisa: a grande maioria dos shows que vi ficavam em 2 palcos principais, um de frente para o outro. Então, assim que terminava o show em um palco, o próximo já imediatamente começava no outro. E a gente ficava ali, basicamente dando uns passinhos pra frente (ou pra trás, dependendo do ponto de vista) – isso quando a preguiça não era tanta que a gente só virava pro outro lado. E foi o que eu fiz: assim que acabou o The xx, virei pra trás pra ver o Grizzly Bear que estava começando. Veja bem: o sol estava no auge, eu tinha acabado de ver um show foda e pouco antes tinha comido um burrito. Mas o show tava tão mais ou menos que resolvi sair da inércia e andar atrás de coisa melhor – ou pelo menos um lugar à sombra pra estender a canga.

Grizzly Bear – Ready, able

Checking it off of my list
Unable to write
Five years, countless months and a loan
Hope I’m ready, able to make my own, good home

O vídeo é bem bom:

Foi assim: um milhão de pessoas* se espremendo pra ver o show dos caras debaixo de um baita solzão enquanto lá do outro lado do parque, concorrendo no mesmo horário, tocava Gogol Bordello. Aí os caras já abriram o show com Crystalised que era pra mandar o povo do “eu ouvi a recomendação da MTV” embora pro outro palco logo e daí pra frente fizeram um dos melhores shows do festival. Sorte a minha, azar de quem saiu e continua achando que a banda é um desses one hit wonders com uma duplinha de indies esquisitos. Destaque pra Romy Madley Croft que, ao contrário do que pode parecer aos desavisados que só ouviram o grande hit deles, é a cabeça e a alma da banda.

The xx – VCR

You, you still have all the answers
And you, you still have them too
[...]
Watch things on VCRs, with me and talk about big love
I think we’re superstars, you say you think we are the best thing
But you, you just know, you just do

* para quem não entendeu, era só piadinha. O festival tinha lotação máxima de 80 mil pessoas.

A primeira coisa que me impressionou no show do Stars foi a quantidade de gente. A segunda foi o número de pais com filhos pequenos assistindo ao show. E a terceira foi o ar “morno” geral, da banda e da platéia. Enfim, um show sossegadinho pra esperar pelo próximo…

Stars – The night starts here

The night starts here
The night starts here
Forget your name
Forget your fear

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