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Foi assim: abriram com “Ready to start”, encerraram com “Wake up”. Tocaram quase todas do “The Suburbs”, algumas do “Funeral” e até uma ou outra do “Neon Bible”. Fazia um calor insuportável. Praticamente todos do festival estavam ali (muito embora o Soundgarden com o Chris Cornell estivesse tocando lá do outro lado). Eram os últimos shows do Lolla 2010. Eu, que contra todas as possibilidades havia encontrado minutos antes o no meio da muvuca, tentava sem muito sucesso enxergar o palco quando do meu lado um cara desmaiou. Abrimos espaço, na medida do possível, emprestei meu leque improvisado e conseguiram acordar o indivíduo. Na minha frente estava um mané com uma mochila do tamanho do mundo. O Zé tirou da mochila um novo amigo, o Jack. Alguém jogou água pra cima, e eu nunca gostei tanto de tomar um banho em um show. A moça atrás da gente não decidia se pegava ou não pegava o mané da mochila. Desisti de tentar ver o palco, foquei no telão. Já disse que fazia muito calor? A banda inteira suava em bicas. Trocaram de roupa e de posição no palco. Trocaram de instrumentos. Entraram (entramos?) em transe. Pararam. Voltaram para o bis, tocaram só o que faltava. Como se fosse pouco.

Arcade Fire -Wake up

If the children don’t grow up
Our bodies get bigger but our hearts get torn up
We’re just a million little gods causing rainstorms
Turning every good thing to rust
I guess we’ll just have to adjust

Eu estava ali, exatamente ali, vendo tudo exatamente desse ângulo. O show acabou, e a velha máxima de que “uma imagem vale mais do que mil palavras” nunca fez tanto sentido. Enquanto as 80 mil pessoas tentavam sair do Grant Park ainda cantando “Wake up” (OOOOOOOOOOOoooooooooooooooOOOOOOOOoooooOO) a moça parou pra bater uma foto. A foto que resume o show.

Tudo isso aconteceu há exatos 2 meses. E eu nunca vou esquecer.

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