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O quase fim

Desde que eu criei esse blog que penso diariamente – no caminho pro trabalho, fazendo a unha, assistindo TV – em qual será a música do dia. Mas eu sempre soube de uma, em especial, para um dia: o último. Pode ser estranho já começar um projeto pensando no fim, mas é também ingenuidade achar que pode durar para sempre. Não, não vai. O fato é que no sábado de madrugada manhã, a caminho do TEDx São Paulo, essa música tocou na rádio. Inteira. Em 100% das vezes que eu tinha ouvido ela tocar em uma rádio era uma versão mais curta, com aproximadamente metade dos 8 minutos e meio da original. Graças à Radial Leste incrivelmente livre, essa foi praticamente a única música que ouvi no caminho.

Cheguei lá pensando nessa música e em que outra eu teria que achar pra postar, afinal esta já estava reservada para a data do óbito. Inspiração não faltou ao longo do evento: jovens pianistas, tecnobrega, músicas de todos os cantos do Brasil e do mundo. Mas essa, em especial, não me saiu da cabeça aquele dia, e nem nos outros que seguiram. O motivo, no entanto, era outro.

Foi engraçado ver as diversas formas como as pessoas tentaram descrever sua experiência com o TED (“catarse coletiva” é uma das que me lembro), mas a sensação de quase todos com quem conversei era a mesma: eu sou um inútil. Ver tantos exemplos de projetos e principalmente de vida é ao mesmo tempo inspirador e devastador. “O que raios eu estou fazendo?”. Pouco, quase nada. A velha desculpa do “ah, mas eu não tenho tempo” não funciona mais; quem tem tempo, afinal? Me peguei pensando no que venho fazendo (ou não fazendo) e no tal do tempo. Por que ralo ele anda escorrendo? Twitter, Facebook, blog, seriados…se não tivesse nada disso, o que eu faria com meu tempo? Tantos projetos encostados, tantos ainda por vir…

A semana que separa o último post deste foi de muita reflexão. Reflexões muito mais profundas do que o blog em si, mas que é claro envolviam a decisão de seguir ou não com ele. Por fim, decidi que ainda é válido manter minha “válvula de escape”, principalmente porque os novos projetos que estão se formando na caixola vão precisar de muita trilha sonora. O tempo vai ficar mais curto, talvez eu pule alguns dias – e não vou, como antes, fazer posts de dias passados – mas podem acreditar que vai ser por uma boa causa.

A música? Pra quem não conhece a história, ela foi inspirada na notícia do acidente que matou Buddy Holly, Ritchie Valens e The Big Bopper em 1959, que ficou conhecido como “o dia em que a música morreu”.

Don McLean – American Pie

A long, long time ago…
I can still remember
How that music used to make me smile
And I knew if i had my chance
That I could make those people dance
And, maybe, they’d be happy for a while
[...]
Oh, and there we were all in one place
A generation lost in space
With no time left to start again

Não, não vai durar pra sempre. Mas também não vai morrer agora.

2 Responses to “O quase fim”

  1. Alexandre says:

    Parabéns, um ótimo post.

  2. malena says:

    eu bem que me perguntei pq vc estava demorando pra postar algo novo. Mas não pára não! Besos e até sáb!

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