“Como tinha gente jovem nessa festa!”. A frase não veio do Rei. Ouvi assim, meio en passant, na saída do show de ontem que comemorava seus 50 anos de carreira no Ginásio Ibirapuera, e não pude conter a risada. Sim, é verdade – muita “gente jovem” foi lá ver o Robertão, meu conterrâneo mais famoso. Gente que cresceu ouvindo os discos de sua fase mais “romântica”, por assim dizer, assistiu meio emburrado a muitos especiais de Natal e nunca entendeu muito bem por que os coroas chamavam o tal carinha do terno azul de “Rei”.
Ali sentada, esperando o show começar enquanto um telão mostrava mensagens enviadas por SMS e o outro exibia imagens dignas dos ppts que sua mãe costuma te mandar por email, fiquei pensando nisso. A orquestra toca as primeiras notas e o maestro rege o coro num aquecimento. Roberto, de verdade, só entraria depois de alguns minutos. Histeria. Quem foi que elegeu ele mesmo? Ele agradece a presença, os patrocinadores, conta uma história e quando meu DDA começava a falar mais alto ainda ouvi “mas eu não sou muito bom com essa coisa de falar, meu negócio é cantar”. E pronto. Qualquer dúvida que poderia existir cai por terra: sim, ele é o Rei. Um show impecável, com o ginásio em peso cantando a plenos pulmões os maiores sucessos de sua carreira. Pois é, a “gente jovem” também sabia cantar. E algo me diz que não era culpa dos especiais da Rede Globo.
Roberto Carlos – Emoções
Amigos eu ganhei, saudades eu senti partindo
E às vezes eu deixei você me ver chorar sorrindo
[...]
Mas eu estou aqui vivendo esse momento lindo
De frente pra você e as emoções se repetindo
Em paz com a vida e o que ela me traz
Na fé que me faz otimista demais
Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi

Nossa, quase chorei de novo só de ler esse relato. Eu sempre ouvi e gostei do Robertão, mas, foi a primeira vez que o vi de fato. Chorei pencas. Foi até o momento, o melhor show da minha vida. Mesmo.
Beijo!