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Já fui a muitos shows intimistas, mas nenhum como o de ontem. No horário, como em todos os shows do Sesc, Tom Zé entrou no palco sozinho. Sem aquele lenga lenga de super estrela. Soou o sinal, entrou, foi aplaudido e chamou a banda. Um a um, entraram com um sorrisão estampado na cara. Felizes de estar ali pra tocar pra gente. Ou tocar com ele. Ou ambos. O fato é que o senhor de 72 anos é de uma energia e simplicidade encantadoras. Ali, pedindo pra gente cantar, quase implorando pra que comprássemos os discos ou discorrendo sobre a monotonalidade do MC Bola de Fogo, parecia um artista qualquer em começo de carreira. E foi com essa paixão pela arte que ele conduziu um show impecável, capaz de prender a atenção de qualquer criança hiperativa. Com inteligência e sarcasmo, faz uma crítica-homenagem (ou uma homenagem-crítica) à bossa nova debochada, sim, mas de uma eloqüência inquestionável e com muito mais referências históricas e teóricas do que eu provavelmente poderia acompanhar. Se a crítica de Lobão é um editorial, a de Tom Zé é digna de uma dissertação de doutorado com muita bibliografia.

Tom Zé – Augusta, Angélica e Consolação

Augusta, graças a Deus!
Entre você e a Angélica
Eu encontrei a Consolação
[...]
Quando eu vi que o Largo dos Aflitos
Não era bastante largo pra caber minha aflição
Eu fui morar não Estação da Luz
Porque estava tudo escuro dentro do meu coração

Aqui, para delírio dos paulistanos, mandando “Augusta, Angélica e Consolação” com Jarbas Mariz:

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