Feed on
Posts
Comments

Feliz por tudo

É engraçado como as coisas mais bestas têm a capacidade de nos deixar emburrados, angustiados, rancorosos e com instintos assassinos – uma fechada no trânsito, um elevador quebrado, uma topada no pé da mesa. E aí, quando te perguntam o por quê da cara de poucos amigos você logo responde “Tudo! Tá tudo dando errado!”. Em compensação, quando é pra justificar felicidade, ai de você se não tiver um bom motivo. “Namorado novo?” Não. “Ah, já sei, foi promovida! Sabia!” Err, também não. “Trocou de carro? De apartamento? Ganhou na loteria?” Não, não e não. “Ahhh tá bom, você não quer contar, tudo bem”. E aí você diz “ah, sei lá, estou feliz por nada” pra encerrar o assunto (experiência própria, ainda vão insistir que você não está contando a verdade). Nada? Hoje por exemplo, consegui voltar pra academia depois de meses, voltei razoavelmente rápido pra casa e meu omelete não quebrou. Poxa! Trânsito eu pego todo dia, mas um omelete inteiro eu não acertava há anos. É meio idiota, eu sei, mas só porque é uma coisa trivial eu não posso usar como “justificativa”? Nada coisa nenhuma! De agora em diante fica decidido: quando estiver assim, feliz “à toa”, vou responder em alto e bom som “é, pois é, estou feliz por tudo”.

Barão Vermelho – Pense, dance

Saudações a quem tem coragem
Aos que tão aqui pra qualquer viagem
Não fique esperando a vida passar tão rápido
A felicidade é um estado imaginário

Um homem de moral

Paulo Vanzolini compôs algumas das minhas músicas preferidas, e mesmo assim foi só ontem que eu descobri que foi lançado ano passado um documentário sobre ele. Uma justa homenagem ainda em vida a um dos gênios da nossa música.

Paulo Vanzolini – Capoeira do Arnaldo

Eu saí da minha terra
Por ter sina viageira
Cum dois meses de viagem
Eu vivi uma vida inteira
Saí bravo, cheguei manso
Macho da mesma maneira
Estrada foi boa mestra
Me deu lição verdadeira
Coragem num tá no grito
E nem riqueza na algibeira
E os pecado de domingo
Quem paga é segunda-feira

Na versão do Bando de Macambira:

Foi assim: abriram com “Ready to start”, encerraram com “Wake up”. Tocaram quase todas do “The Suburbs”, algumas do “Funeral” e até uma ou outra do “Neon Bible”. Fazia um calor insuportável. Praticamente todos do festival estavam ali (muito embora o Soundgarden com o Chris Cornell estivesse tocando lá do outro lado). Eram os últimos shows do Lolla 2010. Eu, que contra todas as possibilidades havia encontrado minutos antes o no meio da muvuca, tentava sem muito sucesso enxergar o palco quando do meu lado um cara desmaiou. Abrimos espaço, na medida do possível, emprestei meu leque improvisado e conseguiram acordar o indivíduo. Na minha frente estava um mané com uma mochila do tamanho do mundo. O Zé tirou da mochila um novo amigo, o Jack. Alguém jogou água pra cima, e eu nunca gostei tanto de tomar um banho em um show. A moça atrás da gente não decidia se pegava ou não pegava o mané da mochila. Desisti de tentar ver o palco, foquei no telão. Já disse que fazia muito calor? A banda inteira suava em bicas. Trocaram de roupa e de posição no palco. Trocaram de instrumentos. Entraram (entramos?) em transe. Pararam. Voltaram para o bis, tocaram só o que faltava. Como se fosse pouco.

Arcade Fire -Wake up

If the children don’t grow up
Our bodies get bigger but our hearts get torn up
We’re just a million little gods causing rainstorms
Turning every good thing to rust
I guess we’ll just have to adjust

Eu estava ali, exatamente ali, vendo tudo exatamente desse ângulo. O show acabou, e a velha máxima de que “uma imagem vale mais do que mil palavras” nunca fez tanto sentido. Enquanto as 80 mil pessoas tentavam sair do Grant Park ainda cantando “Wake up” (OOOOOOOOOOOoooooooooooooooOOOOOOOOoooooOO) a moça parou pra bater uma foto. A foto que resume o show.

Tudo isso aconteceu há exatos 2 meses. E eu nunca vou esquecer.

Lembram de como foi o Cut Copy? Então, o The National tocou no dia seguinte no mesmo horário, mas com um agravante: o próximo show era do Arcade Fire. E aí uma coisa muito estranha aconteceu no “famoso” palco duplo: quando o MGMT acabou e o palco do outro lado se acendeu, quase ninguém saiu do lugar pra ir lá ver o The National um pouco mais de perto. O que na verdade foi ótimo: dei uns passos pra frente, estendi a canga, abri uma cerveja e vi o show muito bem e sentada – isso tudo, claro, enquanto o sol estava se pondo atrás do skyline de Chicago. Nada mal, não? Ah sim, o show. Foi incrível. Aliás, ao contrário do MGMT, eu gostei mais do The National ao vivo do que dos discos (não que sejam ruins, veja bem, é que ao vivo é realmente ooooooutra coisa). E <momento mulherzinha>o Matt Berninger dançando desajeitado é a coisa mais fofa</momento mulherzinha>.

Essa é do disco anterior, “Boxer”:

The National – Apartment Story

Hold ourselves together with our arms around the stereo for hours
While it sings to itself or whatever it does
When it sings to itself of its long lost loves
I’m getting tired, I’m forgetting why

Lolla recap: MGMT

É, eu sei, o título deve ter atraído muita gente. Mas acho que o post vai me fazer perder leitores. Indo direto ao ponto: fui, vi e não gostei. Vamos lá…quando ouvi o “Oracular Spetacular” pela primeira vez foi amor à primeira vista. Ouvia todos os dias durante meses e não cansava. Aliás, ainda hoje ouço e gosto muito. Aí quando lançaram o “Congratulations” esse ano fui correndo ouvir e, claro, com a expectativa na estratosfera. Achei meio mais ou menos, mas vá lá, não se pode esperar 2 discos geniais na sequência. Deixei de molho no iTunes durante um certo tempo e depois de muitos meses fui ouvir de novo. E de novo. E até que passei a simpatizar com o álbum – ainda longe do anterior, na minha humilde opinião, mas um disco honesto, por assim dizer. Mas a melhor notícia mesmo, que corria por aí, era a de que a performance dos caras ao vivo tinha melhorado muito. Bom, lá fui eu. Fazia um calor insuportável, e o show era no mesmo palco onde algumas horas mais tarde tocaria o Arcade Fire. Resultado: muita, mas muita gente, alguns que já chegavam para guardar lugar para o próximo show. Eu sinceramente me senti assistindo um DVD. Sabe aquela coisa de presença de palco, empatia, tocar com emoção, etc? Pois é, acho que eles não sabem. Ainda. Mas, assim como o novo CD, ainda acho que o show também merece uma segunda (terceira, quarta…) chance.

MGMT – Brian Eno

I can tell that he’s kind of smiling
But what does he know?
We’re always one step behind him, he’s Brian Eno
Brian Eno

É engraçado como bandas que até outro dia eram completas desconhecidas ganham uma proporção enorme na sua vida, mesmo que seja só por alguns dias ou semanas. Eu não conhecia o Frightened Rabbit até poucas semanas antes do festival, mas por vários motivos quando cheguei lá era uma das que mais queria ver. Fiquei bem pertinho do palco, como se fosse fã de longa data – e cercada deles, o que me fez sentir ainda mais “groupie”. E aí eu perecebi que a identificação não era só com a banda, mas também com o público. Deve ter sido o show em que eu mais me senti “em casa”.

Frightened Rabbit – Keep yourself warm

Can you see in the dark?
Can you see the look on your face?
The flashing white light’s been turned off
You don’t know know who’s in your bed
It takes more than fucking someone you don’t know to keep warm

- Boa tarde crianças!!!
- Boooa tarrdeeee!
- Essa música que vou tocar agora eu ouvia na rádio quando eu era criança…
- Eeeeeee!!!!
- …é de um cara chamado Lou Reed…
- OOOOOOOOOOOOOO!!!!!
- …e ela me inspirou a me tornar um rock star!
- AAAAAAAAAAAAAAA!!!

Sim, o “diálogo” acima aconteceu no festival. Explica-se: havia um palco chamado Kidzpallooza, e foi lá que Perry Farrell, vocalista do Jane’s Addiction e criador do festival, cantou pra “criançada” que lá estava. Eu? Bem, estava ali por perto deitada na grama dando um tempo para os próximos shows. A música?

The Velvet Underground – Sweet Jane

And that, y’know, children are the only ones who blush!
And that, life is just to die!
And, everyone who ever had a heart
They wouldn’t turn around and break it
And anyone who ever played a part
Oh wouldn’t turn around and hate it!

Eu ia pular esse show do recap visto que fiquei menos de 15 minutos ali, mas enfim, vamos lá: depois de um breve “almoço” (leia-se um hot dog que resumia-se a pão com salsicha), lá fui eu para o palco com sombra. O show tava muito mais agitado do que eu imaginava para a minha siesta, então decidi ir embora depois da 3a música. E foi isso. Esse aí, de acordo com o guia do festival, é o grande hit da banda.

Violent Soho – Jesus stole my girlfriend

Every day every afternoon
Tried so hard but lost to God
This time next year I’ll be married
This time next year I’ll say sorry
But Jesus stole my girlfriend

Os ingleses do Mumford and Sons tocaram no começo da tarde, no horário que era tido em alguns fórums como um dos maiores conflitos do festival: tocavam ao mesmo tempo em outros palcos Freelance Whales e Minus the Bear. Como há dias que ouvia no repeat o grande hit da banda, “Little Lion Man“, escolhi…ok, ok, admito: também porque era o palco mais perto de onde eu estava. Continuando: …escolhi ficar por ali mesmo. O show estava bastante cheio e chamava a atenção, além do figurino bastante, humm, peculiar, os instrumentos: banjo, bandolim e até um violoncelo (ou talvez fosse aquele outro menor que eu nunca lembro o nome). E em uma horinha os caras conseguiram provar, pelo menos pra mim, que folk music pode ser BEM legal e super animada.

Mumford and Sons – The cave

Cause I need freedom now
And I need to know how
To live my life as it’s meant to be
And I will hold on hope
[...]
And I’ll find strength in pain
And I will change my ways
I’ll know my name as it’s called again

Destaque pro figurino, como pode ser visto no vídeo abaixo e em outros por aí.

Didi Gutman, pra quem não sabe, é parte de um grupo chamado Brazilian Girls. Tá, ele é argentino, mas eu tinha que ir lá ver qual era a do cara. No Lolla ele tocou no palco eletrônico, uma mini-rave com som non-stop (mesmo! Os DJs se alternavam sem deixar a peteca cair). Vi só um pedacinho, não tava lá essas coisas. Ou sei lá, talvez até estivesse mas eletrônica não é muito minha praia, então deixo vocês com uma música da banda dele:

Brazilian Girls – Don’t stop

When and how did I become my mother
Am I getting on your nerves?
Let’s just not talk about it and fill the blanks with space
Go to the park later
Get some ice cream

Você acha que conhece essa música, né? Não, não, a que você ouve todo dia na rádio é essa aqui. As duas samplearam o “hit” de Eldar Mansurov, “Bayatılar“. Pronto, agora você já pode dizer que já ouviu uma música do Azerbaijão! Mas, convenhamos, entre a original e a cópia nova do romeno Edward Maya eu ainda fico com o hermano que se diz brasileiro.

Older Posts »