É engraçado como as coisas mais bestas têm a capacidade de nos deixar emburrados, angustiados, rancorosos e com instintos assassinos – uma fechada no trânsito, um elevador quebrado, uma topada no pé da mesa. E aí, quando te perguntam o por quê da cara de poucos amigos você logo responde “Tudo! Tá tudo dando errado!”. Em compensação, quando é pra justificar felicidade, ai de você se não tiver um bom motivo. “Namorado novo?” Não. “Ah, já sei, foi promovida! Sabia!” Err, também não. “Trocou de carro? De apartamento? Ganhou na loteria?” Não, não e não. “Ahhh tá bom, você não quer contar, tudo bem”. E aí você diz “ah, sei lá, estou feliz por nada” pra encerrar o assunto (experiência própria, ainda vão insistir que você não está contando a verdade). Nada? Hoje por exemplo, consegui voltar pra academia depois de meses, voltei razoavelmente rápido pra casa e meu omelete não quebrou. Poxa! Trânsito eu pego todo dia, mas um omelete inteiro eu não acertava há anos. É meio idiota, eu sei, mas só porque é uma coisa trivial eu não posso usar como “justificativa”? Nada coisa nenhuma! De agora em diante fica decidido: quando estiver assim, feliz “à toa”, vou responder em alto e bom som “é, pois é, estou feliz por tudo”.
Barão Vermelho – Pense, dance
Saudações a quem tem coragem
Aos que tão aqui pra qualquer viagem
Não fique esperando a vida passar tão rápido
A felicidade é um estado imaginário
